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13/05/2011 às 15h54

Debate com indígenas mobiliza estudantes

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O I Ciclo de Debates Interétnicos foi encerrado deixando a lição da convivência harmoniosa entre os povos

Debate com indígenas mobiliza estudantes

Cacique Manoel Eufrázio, profª Tania Andrade e o cacique Ednaldo dos Santos

Ampliar a visão que a comunidade acadêmica tem sobre a cultura indígena. Essa pode ser considerada a principal contribuição que o I Ciclo de Debates Interétnicos trouxe para o Instituto Federal de Educação, ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB). O evento foi organizado pela Coordenação de Pesquisa e Extensão, Diretoria de Ensino e Núcleo de Estudos Interétnicos, nessa sexta-feira, 13. O encontro aconteceu no Auditório José Marques do Campus João Pessoa, sob iniciativa da professora Tania Maria Andrade, que destacou o fato de os próprios indígenas serem os protagonistas das palestras.

Pela manhã, foram tratados os temas “Etnohistória Potiguara”, com o professor Antônio Pessoa Gomes, que é o Cacique Geral Caboquinho; “Etnohistória Tabajara”, pelo Cacique Ednaldo dos Santos Silva. À tarde foram discutidas as Lutas e Conquistas na Educação, com o professor Potiguara Pedro Eduardo Pereira, e na Saúde, com o professor Potiguara Manoel Eufrázio Rodrigues, além do processo de organização do povo Tabajara, com o presidente do Conselho de Liderança do Povo Tabajara, Paulo dos Santos Maciel.

A plateia da tarde foi formada, em sua maioria, por estudantes do Ensino Técnico Integrado ao Médio de Controle Ambiental, além de representantes da Funai  e Funad. Estudantes estimularam o debate ao fazerem perguntas sobre a possível perda da identidade indígena no processo de integração urbana, principalmente via tecnologia. Também foi abordado o preconceito que insiste em recair sobre as populações originárias do país.

O potiguara Pedro destacou que ainda prevalece uma visão idealizada do índio como existindo somente no passado, sem perceber que eles estão vivos e atuando na sociedade. “O preconceito existe e geralmente eu retorno em perguntas, para entender ‘o que é índio na sua visão’? Prevalece uma imagem do índio do mundo fictício, mitológico”, comentou Pedro. Ele destacou ainda que a imagem que o brasileiro tem sobre os indígenas, em geral, leva em conta o estereotipo das tribos do norte: “acham que todo índio tem cabelo liso”.

Paulo Santos considerou que a integração é mais que necessária para mudar os conceitos existentes sobre os povos indígenas. “Éramos esquecidos, vistos como bichos, cassados, mortos, desprezados. Hoje, somos escutados. Antes não tínhamos isso”, comentou. Sobre a preocupação com a perda das raízes, Paulo destacou que não é toda a mudança que pode alterar uma cultura. “A cultura não pode ser mudada. O respeito de um povo com a sua cultura e de um povo para outro também não”, frisou.

A professora Tânia frisou que um livro escrito pelos próprios indígenas está no prelo. Com capítulos escritos pelos potiguaras Pedro Eduardo Pereira, Antônio Pessoa Gomes (Cacique Geral Caboquinho); José Pessoa Gomes, e pelo tabajara Cacique Ednaldo dos Santos Silva, além da professora Tânia, o livro “Povos Indígenas da Paraíba”, vai trazer os relatos dos representantes indígenas acerca de fatos históricos do Estado.

 

Ana Carolina Abiahy – jornalista do IFPB