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04/03/2013 às 10h48

Valdir Fonseca: 29 anos dedicado ao magistério

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Para ser professor, Valdir teve que renunciar sua paixão pela engenharia.

Valdir Fonseca (57) formou-se em História pela Universidade Regional do Nordeste (URN) e começou a lecionar em escolas públicas e privadas na década de 80. Ele é um dos professores mais experientes do Campus Guarabira com 29 anos de magistério, em sala de aula.

Atualmente, Fonseca está contribuindo com a implantação do Campus do IFPB no Brejo Paraibano na condição de professor das disciplinas pertinentes a história, sociologia e filosofia, além de supervisionar as aulas do Pronatec – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. “Estou contribuindo também com o projeto de documentação do Campus, atendendo pedido da direção geral da Unidade”, complementou.

O professor veterano do Campus Guarabira iniciou sua carreira de educador em Campina Grande nas instituições Pio XI e Sociedade Educacional Campinense, em 1984. No ano seguinte, ele foi para o ex-Território Federal de Roraima onde ingressou no serviço público federal como professor de ensino de 1º e 2º graus, na Escola Indígena Sadoc Pereira, no município de Alto Alegre, 89 quilômetros da capital, Boa Vista.

"Apesar de sempre ter afirmado que jamais seria professor, esse foi meu destino profissional", afirma Fonseca ao revelar que sua grande paixão foi o campo da engenharia agronômica.

Essa passagem pelo Norte do País tirou o jovem Valdir do mundo dos sonhos e o colocou diante de uma nova conjuntura urbana e rural: ajudar o país pela educação. Por esse motivo ele se integrou tão bem na educação das comunidades indígenas em Roraima. "Minha grande recompensa foi poder atuar no sentido que o coração indica, em movimentos ligados ao sonho", recorda ao rememorar suas aulas como professor polivalente nas disciplinas OSPB e Morais Cívica.

Ele se emociona ao contar suas histórias da sala de aula e das contribuições pessoais para a vida dos povos indígenas que moram no extremo norte do país, além da linha do equador. "Utilizava linguagem simples, direta sobre temas como ética, saúde, sexualidade, respeito aos mais velhos, riqueza, terra, educação entre os excluídos, sempre numa perspectiva de construção de novos seres humanos”, ressalta.

Dentre suas memórias e convivência com a tribo ianomâmi, ele destaca a mais dolorosa: Não é fácil ouvir um aluno indígena comunicar que tinha sede de aprender, mas precisava trancar a matrícula porque a família não tinha condições de sustentá-lo na escola.

Hoje o professor Valdir guarda uma forte lembrança dos indígenas roraimenses e a certeza de que as sementes que ele lançou contribuíram para a organização dos povos ianomamis.

O filho de Belém de Caiçara (PB) acumula também no seu currículo passagem como professor de sociologia rural na Escola Agrotécnica Dom Avelar Brandão Vilela, em Petrolina (PE), no período de 1992 a 1995. Os laços dele com aquela instituição deu-se por ocasião do seu retorno de Roraima para o Nordeste, tendo como destino a Paraíba.

O jovem que sonhava com agronomia se apaixonou pela sala de aula e confessa que se fosse começar tudo de novo constituiria a família que Deus lhe deu: Maria de Araújo Fonseca (Zeza), professora aposentada de Metodologia Científica pelo IFPB e os dois filhos: Thiago de Araújo Fonseca (20) – estudante de engenharia de produção mecânica pela UFPB e a advogada Hérica Patrícia de Araújo Fonseca (25) e não hesitaria em ser professor.

"Mas, nem por isso deixo de expressar minha indignação com o descaso da política brasileira com a educação", critica Valdir sugerindo que somos o que somos no ensino por falta de uma política de valorização do magistério.

Quem ouve o professor Valdir logo percebe o profissional que ele é. Um professor atualizado que faz do cotidiano da sala de aula um laboratório recheado de conteúdos em constante atualização. "Promovo minhas aulas com o passado, o presente e o futuro", complementou ao afirmar que não há como falar sobre a renúncia do Papa Bento XVI sem focar os lados fascinante e temeroso que se escondem por trás da história da igreja romana.

Ele conclui falando do cotidiano do Campus Guarabira e seu estado de inquietude sobre a construção da unidade. “Atravessamos um novo e promissor capítulo da história do IFPB. Quem viver verá que o desenvolvimento do Brejo Paraibano virá pela Educação, Ciência e Tecnologia", prognosticou o professor.

 

*Filipe Donner - Coordenador de Comunicação Social da Reitoria